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Agosto Lilás alerta sul da Bahia diante de violência crescente e feminicídios

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O sul da Bahia vive um momento de alerta em meio à campanha Agosto Lilás, que reforça a conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Dados recentes mostram que, apenas em 2024, a região registrou 2.766 casos de violência, mas apenas 413 denúncias foram formalizadas, revelando um cenário preocupante de subnotificação.

O contraste entre o número de violações e o baixo índice de denúncias expõe barreiras enfrentadas por mulheres para romper o ciclo de violência. Especialistas apontam que o medo, a dependência financeira e a falta de acolhimento estão entre os principais fatores que dificultam a busca por ajuda.

Nos últimos meses, episódios graves acenderam ainda mais o alerta. Em Ilhéus, três mulheres, sendo duas professoras da rede municipal e uma universitária, foram encontradas mortas em um matagal próximo à Praia do Sul. O crime brutal, cometido com arma branca, provocou comoção, luto oficial e manifestações da comunidade por justiça.

Apesar da gravidade, os números estaduais mostram uma ligeira redução dos feminicídios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, em 2024 foram registrados 111 casos, queda de 3,5% em relação a 2023. Entre 2017 e 2024, o estado contabilizou 790 feminicídios, uma média de uma mulher morta a cada três dias.

A campanha Agosto Lilás é inspirada na Lei Maria da Penha, que completou 19 anos em 7 de agosto de 2025. O tema deste ano: “Não deixe chegar ao fim da linha. Ligue 180”,  busca estimular denúncias e ampliar a rede de proteção.

No âmbito institucional, a Bahia integra o movimento Feminicídio Zero, iniciativa do Ministério das Mulheres, que no ano passado contou com o lançamento em Brasília, em plena campanha Agosto Lilás. O estado também formalizou o Comitê Permanente Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e Prevenção ao Feminicídio, por meio do Decreto nº 22.933, de julho de 2024. O comitê busca criar fluxos e protocolos eficazes e monitorar políticas públicas de proteção.

Especialistas reforçam que a violência contra a mulher se manifesta de diferentes formas: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Por isso, além do Ligue 180, denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e pelo aplicativo Direitos Humanos BR.

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