O veículo utilizado pelos suspeitos no assassinato da advogada criminalista Maria das Graças Barbosa dos Santos, conhecida como Gal Barbosa, foi encontrado carbonizado nesta terça-feira (25) na cidade de Ibirataia, no sul da Bahia. O crime ocorreu um dia antes, na manhã de segunda-feira (24), em Ipiaú, quando a residência da vítima foi invadida por homens armados.
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De acordo com informações da Polícia Civil, Gal Barbosa tentou fugir, mas foi alcançada e morta a poucos metros de sua casa, localizada na rua Francisco José de Souza, no bairro Senhora Aparecida. Os criminosos fugiram após o homicídio e, até o momento, não foram localizados. A Delegacia Territorial de Ipiaú conduz as investigações para determinar a autoria e a motivação do crime.
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A morte da advogada gerou grande comoção na cidade. Seu corpo foi sepultado ainda na segunda-feira, sob homenagens de familiares e amigos. Nas redes sociais, onde tinha mais de 14 mil seguidores, Gal Barbosa se apresentava como criminalista, especialista em júri popular e mestre em Direito do Trabalho. Além disso, presidia a Comissão Especial de Direito dos Animais de Ipiaú.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) manifestou pesar e indignação pelo assassinato. Em nota, a entidade ressaltou que está acompanhando o caso por meio do presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas, Victor Gurgel, que encaminhou o caso à Procuradoria Jurídica da instituição para que providências sejam adotadas. A OAB também solicitou à Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) celeridade nas investigações e designou um representante para acompanhar o andamento do inquérito.
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Especulações indicam que a advogada poderia estar representando integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que sua morte teria sido ordenada por membros do Comando Vermelho (CV), facção criminosa rival. No entanto, a OAB-BA refutou qualquer tentativa de vincular a profissional a organizações criminosas, destacando que advogados atuam na defesa de réus sem, necessariamente, estarem envolvidos com os crimes pelos quais seus clientes respondem.
A entidade ainda criticou a criminalização da advocacia criminal, alertando para os riscos de associar defensores legais aos delitos de seus clientes sem provas concretas. A OAB Subseção Ipiaú reforçou que a investigação ainda está em estágio inicial e que não há nenhuma conclusão oficial que comprove qualquer ligação da advogada com grupos criminosos.