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Moradores do Pedro Jerônimo protestam por atendimento em posto de saúde de Itabuna

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Manifestação expõe falhas na territorialização do SUS e cobra empatia da gestão municipal

Com cartazes nas mãos e palavras de indignação, moradores do bairro Pedro Jerônimo realizaram, nesta quinta-feira, 24, um protesto em frente à Unidade de Saúde da Família Dr. João Monteiro, em Itabuna. O ato teve como foco a insatisfação com o processo de territorialização da saúde no município e a dificuldade de acesso aos atendimentos médicos básicos. A manifestação foi transmitida ao vivo no Instagram pelo jornalista Oziel Aragão, que deu visibilidade à demanda popular.

“Nosso corpo adoece, mas a estrutura que deveria cuidar dele é que está falida!”, dizia um dos cartazes erguidos por uma moradora durante o protesto. Outras mensagens destacavam o sentimento de abandono: “Morar longe do posto é abandono, não é escolha” e “Saúde é urgência, não maratona!”.

A principal queixa da comunidade é relacionada à territorialização, processo que determina as áreas de cobertura de cada posto de saúde com base na localização dos moradores. Segundo os manifestantes, a divisão atual tem deixado diversas famílias desassistidas ou obrigadas a percorrer longas distâncias para obter atendimento básico.

O que é territorialização e por que ela importa?

A territorialização é uma diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS) que visa organizar os atendimentos por área geográfica. Em Itabuna, esse processo está em andamento, com etapas como recadastramento domiciliar, mapeamento populacional e reorganização das unidades.

A secretária de saúde do município, Dra. Lívia Mendes Aguiar, conversou com o jornalista Oziel Aragão na tarde desta quinta-feira e reconheceu a complexidade do processo, reforçando que a territorialização tem sido conduzida com base em mapeamentos criteriosos e recadastramentos domiciliares.

“As delimitações territoriais seguem critérios técnicos, mas estamos abertos ao diálogo com representantes do bairro Pedro Jerônimo, a fim de ajustar as microáreas quando houver incongruência com a realidade da população”.

Apesar dos avanços técnicos, moradores afirmam que o modelo tem ignorado a necessidade de proximidade, segurança e acessibilidade, especialmente para famílias com pacientes crônicos ou mobilidade reduzida.

Além das dificuldades de locomoção, os moradores alertaram para um agravante que foge do campo da saúde, mas impacta diretamente a vida de quem precisa de atendimento: a violência urbana.

“Tem lugar que a gente não pode entrar porque corre risco. Todo mundo sabe disso. Existem regras impostas por facções. Quem mora num bairro não pode circular livremente em outro. Como é que vamos nos tratar assim?”, afirmou uma das mulheres que participaram do ato.

O movimento reflete uma demanda urgente por empatia e ação. Para os moradores do Pedro Jerônimo, o direito à saúde começa com o acesso e isso passa pela escuta ativa da população.

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