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Morte de adolescente em academia levanta alerta sobre exercícios físicos na juventude

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A morte de uma adolescente de 13 anos durante a prática de exercícios físicos em uma academia, em Minas Gerais, trouxe à tona um debate sensível e necessário sobre a presença de adolescentes nesses espaços. O caso, ocorrido recentemente e ainda sob apuração oficial, causou comoção e reacendeu discussões sobre segurança, acompanhamento profissional e limites adequados para essa faixa etária.


Ana Beatriz Souza Prado, de apenas 13 anos, faleceu após sofrer uma parada cardíaca enquanto praticava exercícios físicos em uma academia na cidade de Uberlândia, no interior de Minas Gerais. Foto- Reprodução

Embora a prática de atividade física seja amplamente recomendada para a promoção da saúde, especialistas alertam que, quando se trata de adolescentes, cuidados específicos precisam ser observados. O episódio reforça que o problema não está no exercício em si, mas na forma como ele é orientado e executado.

A importância do acompanhamento profissional

Em primeiro lugar, é considerado indispensável que academias contem com profissionais de Educação Física formados e capacitados para atender pessoas com diferentes objetivos, como perda de peso ou hipertrofia muscular. Segundo o professor Kally Diego Araujo do Rosario*, ouvido pela reportagem, o acompanhamento técnico é um fator decisivo para a segurança dos praticantes, especialmente dos mais jovens.

“É imprescindível realizar uma anamnese detalhada do aluno, para conhecer seu histórico de saúde, identificar possíveis riscos e, quando necessário, solicitar exames que comprovem se ele está apto à prática de exercícios, como o eletrocardiograma”, explica o professor.

Crescimento de eventos cardiovasculares entre jovens

Dados associados ao Ministério da Saúde e compilados com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos, refletindo uma mudança no perfil epidemiológico das doenças cardiovasculares no país. Esse aumento é considerado preocupante por especialistas, sobretudo entre jovens com fatores de risco como obesidade, sedentarismo e tabagismo. 

Outra análise indicou que, entre os anos de 2000 e 2024, as internações por infarto em brasileiros com menos de 40 anos cresceram em torno de 150%, passando de cerca de dois para cinco casos por 100 mil habitantes, um sinal de que a condição está deixando de ser rara em idades mais precoces. 

Esses dados não significam que eventos como paradas cardíacas em adolescentes sejam comuns, mas apontam para uma tendência de crescimento associada a fatores de risco presentes cada vez mais cedo na vida de crianças e jovens.

Benefícios e riscos da academia para adolescentes

A prática de exercícios, seja dentro ou fora das academias, é reconhecida como essencial para quem busca melhor qualidade de vida. Entre os benefícios estão a melhora do condicionamento físico, o fortalecimento muscular, o desenvolvimento da disciplina e impactos positivos na saúde mental.

Por outro lado, a ausência de orientação adequada, a prescrição incorreta de treinos, o excesso de carga e o desrespeito aos limites do corpo em desenvolvimento podem representar riscos. Por isso, especialistas defendem que os exercícios sejam adaptados à idade, ao estágio de crescimento e às condições de saúde de cada adolescente.

Um olhar para a saúde integral

O debate também aponta para a necessidade de hábitos saudáveis no dia a dia. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, repouso, prática consciente de exercícios, controle do estresse e cuidado com a saúde física, mental e espiritual formam um conjunto essencial para o bem-estar e a prevenção de doenças.

O caso registrado em Minas Gerais, embora trágico, reforça a importância de uma reflexão coletiva. Mais do que discutir a liberação ou não de adolescentes em academias, o episódio evidencia a necessidade de responsabilidade compartilhada entre estabelecimentos, profissionais e famílias, para que a atividade física cumpra seu papel de promover saúde, e não risco.

*Kally Diego Araujo do Rosario – Professor de Educação Física (Licenciatura e Bacharelado)

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