Internações pela doença aumentaram em um ano; diagnóstico nas primeiras 72 horas ajuda a evitar complicações e dor persistente
Segundo o Ministério da Saúde/SIH-SUS, as internações por herpes-zóster aumentaram quase 70% na Bahia em um ano. Conhecido popularmente como cobreiro, o herpes-zóster costuma ser lembrado pelas bolhas na pele, mas pode provocar complicações mais graves. Os dados mais recentes são do ano de 2023, porém o cenário segue chamando atenção já que a doença pode permanecer silenciosa no organismo por décadas e voltar a se manifestar com o enfraquecimento do sistema imunológico.
O herpes-zóster é provocado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo responsável pela catapora. “Essa infecção cutânea aguda é causada pela reativação do vírus varicela-zoster. O vírus permanece adormecido no organismo durante muito tempo e quando há uma falha no sistema imunológico, este vírus é reativado, volta a replicar, e a pessoa apresenta a doença”, explica Laurência Vânia Carvalho, infectologista e professora da Faculdade de Medicina Zarns Salvador.
A médica destaca que com o envelhecimento, o sistema imunológico perde parte da capacidade de proteger o organismo contra doenças infecciosas, por isso adultos acima dos 50 anos já estão entre os grupos mais suscetíveis. “Pessoas que já tiveram catapora e apresentam alguma condição que afete a imunidade, como doenças imunossupressoras ou uso de medicamentos imunossupressores, também devem estar atentas”, ressalta.
Um dos grandes desafios é o diagnóstico antes do aparecimento das lesões. “No início, a pessoa pode apresentar dor ou formigamento no local e, só depois de 2 a 3 dias, apresentar as bolhas”, alerta a infectologista. Por isso, a avaliação médica precoce é importante: “O tratamento antiviral é mais efetivo se iniciado nas primeiras 72 horas do início da doença, evitando as complicações do herpes zoster”, completa.
Apesar de ser associado principalmente à pele, o herpes-zóster também pode provocar complicações neurológicas. A infectologista explica que a neuralgia pós-herpética é a mais comum, mas a infecção pode causar outros quadros mais sérios. “As complicações neurológicas, dependem do nervo atingido. O vírus pode atingir o ramo que inerva o olho, causando herpes oftálmico, o nervo auditivo, herpes zoster auricular, e pode, inclusive, causar meningoencefalite herpética”, pontua.
A professora destaca que a vacina mais recente oferece proteção superior a 90% contra o VZV e pode ser utilizada por pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. “O custo do imunizante ainda é uma barreira para grande parte da população. Em se falando de prevenção, a orientação é sempre cuidar da saúde física e mental, fortalecer o sistema imunológico e, no caso das pessoas mais suscetíveis, evitar a exposição a portadores da doença”, orienta.
Em Salvador, pessoas que apresentem sintomas, precisem de tratamento ou tenham dúvidas sobre o diagnóstico podem buscar atendimento gratuito em Infectologia na Clínica-escola da Faculdade de Medicina Zarns Salvador. O espaço possui mais de 80 consultórios e realiza mais de 5 mil atendimentos por mês. Para realizar marcação para atendimento, os interessados devem acessar o site.
Via Correio24h




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