Ita Pedro 2026
Banner Morena FM

Quase 500 peixes-leão são retirados do mar em Porto Seguro e avanço da espécie acende alerta no sul da Bahia

Espécie invasora tem espinhos venenosos e ameaça o equilíbrio da fauna marinha; pescadores recebem R$ 10 por exemplar capturado

0 9

A presença do peixe-leão no litoral de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, mobiliza pescadores, pesquisadores e órgãos ambientais. Em aproximadamente um mês, quase 500 exemplares da espécie invasora foram retirados do mar como parte das ações para tentar conter sua proliferação.

A primeira ocorrência oficial no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro, foi registrada em 12 de junho deste ano. A espécie, no entanto, já havia sido encontrada anteriormente em outros pontos do litoral baiano, incluindo Morro de São Paulo e Taipu de Dentro, em Maraú.

Diante do aumento dos registros, Porto Seguro elaborou um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado em agosto. O documento estabelece medidas de monitoramento, captura, pesquisa científica e prevenção de acidentes.

Uma das estratégias adotadas fora da área protegida é incentivar a participação dos pescadores na retirada dos animais. Segundo a Prefeitura de Porto Seguro, R$ 10 são pagos por cada exemplar entregue. A iniciativa deve continuar por mais 30 dias.

Depois da captura, os peixes são encaminhados prioritariamente ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (Lecomar/UFSB). Os pesquisadores analisam os exemplares para obter informações sobre distribuição, alimentação, reprodução e dimensão da população presente na região.

Por que o peixe-leão preocupa?

Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é considerado uma espécie invasora no Atlântico. Um dos principais problemas é sua elevada capacidade de reprodução e predação, associada à ausência de predadores naturais capazes de controlar sua população no ambiente onde foi introduzido.

A expansão pode afetar peixes e invertebrados nativos e provocar desequilíbrios nos ecossistemas recifais, com possíveis consequências também para atividades econômicas ligadas à pesca e ao turismo.

Além do impacto ambiental, o peixe-leão exige cuidado por causa dos espinhos venenosos. O contato pode provocar dor intensa, náuseas e, em situações mais graves, convulsões. A recomendação é não tocar no animal e procurar atendimento médico em caso de perfuração.

O plano elaborado em Porto Seguro prevê ainda capacitação de pescadores e mergulhadores e ações educativas para reduzir o risco de acidentes. Os exemplares capturados não devem ser devolvidos vivos ao ambiente marinho.

A retirada de centenas de animais em poucas semanas reforça a preocupação com a capacidade de expansão da espécie e mantém o litoral do extremo sul da Bahia sob monitoramento.

Com informações do Correio24h

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.