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Bahia tem piora na regulação; veja especialidades com maior espera

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Segundo auditoria do TCE-BA, tempo de espera de 14 das 26 especialidades monitoradas pelo órgão piorou em todo o estado entre 2019 e 2024

Se antes um paciente precisava aguardar quatro dias, em média, para fazer uma cirurgia torácica na Bahia, atualmente, ele precisará estender essa espera por 10,4 dias se recorrer às unidades 

de saúde do estado e, a depender da região, só conseguirá atendimento após 17 dias de procura. Isso é o que revela uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), julgada em outubro deste ano. O relatório aponta que, entre 2019 e 2024, o tempo de espera na regulação para atendimento em 14 das 26 especialidades monitoradas piorou em todo o estado.

A situação é mais crítica para quem precisa de cirurgia torácica (10,4 dias) e de consultas especializadas com as áreas da Hematologia (7,8 dias), Oncologia (6,7 dias), Urologia (5,7 dias) e Pneumologia (5,6 dias). Segundo o TCE-BA, mesmo com aumento no número de leitos ao longo dos anos, a rede continua insuficiente para reduzir os tempos de resposta. Em todo o território baiano, somente nove especialidades reduziram o tempo de espera e três permaneceram iguais.

No caso do estudante universitário João Sousa, 24 anos, a espera já dura quase dois meses para conseguir uma consulta dermatológica. Apesar de não constar no relatório do TCE-BA, a Dermatologia foi sinalizada pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) ao Ministério da Saúde, no início deste ano, como uma das especialidades com maior tempo de espera do estado, demandando 16,5 dias para fazer marcações.

“Procurei o serviço desejando um olhar para além do que encontramos no médico clínico e acabei me deparando com um sistema bastante desorganizado, com informações dispersas que me frustraram. Os funcionários utilizam o Sistema Vida+ para marcações, porém, eles nunca sabem a data do mês em que o “Sistema” vai abrir essas vagas. Já passei uma manhã no serviço, na esperança da vaga aparecer, somando cinco tentativas”, conta João. 

Causas da espera 

Marcos Gêmeos, presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), destaca que rede estadual de saúde tem inaugurado novos hospitais e investido na interiorização de políticas de saúde, mas a demora na regulação é inegável. Dentre as razões, ele cita a baixa cobertura da atenção básica, o que favorece o adoecimento, além de outras questões estruturais. 

“A disponibilidade de profissionais impacta muito a demora do atendimento da população, sobretudo nos municípios que não dialogam nem têm sua regulação integrada à regulação do estado. Com isso, a população é quem fica penalizada. Nós também precisamos de um incentivo muito grande na formação de mais especialistas. Tem regiões que têm pouquíssimos e outras que nem têm”, afirma. 

O presidente do CES-BA vê uma relação direta entre a baixa formação de especialistas e os atendimentos com maior tempo de espera apontados pela auditoria “No universo da Oncologia, são pouquíssimos especialistas, e há uma rede que se expandiu agora para o interior. Ou seja, além da necessidade de expansão de alguns serviços, tem locais que não têm nem profissional. No caso de hematologistas, algumas regiões não têm nem um e, às vezes, o profissional que existe não tem sequer o interesse de se interiorizar, ficando concentrados nas grandes regiões”, pontua.

Texto: Correio24h

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