Em entrevista a Oziel Aragão, Renata Ramos desabafa sobre início do ano letivo e estrutura para alunos atípicos
O jornalista Oziel Aragão, conversou nesta quarta-feira, 11, com Renata Ramos, mãe que divulgou um vídeo relatando a angústia vivida nos primeiros dias do ano letivo ao perceber que o filho, Abraão, não havia iniciado as aulas na Escola Municipal Everaldo Cardoso, em Itabuna.

O motivo, segundo ela, foi a ausência de monitor para acompanhar o estudante. “Foi muito difícil”, contou Renata durante a conversa. Visivelmente emocionada, ela relembrou o momento em que viu filhos de amigas indo para a escola enquanto o seu permanecia em casa. “Eu chorei por cerca de uma hora e meia”, relatou.
Segundo a mãe, não houve negativa de matrícula. O filho está regularmente matriculado. No entanto, a falta de profissional de apoio teria impedido o início das atividades escolares.
Renata explicou que a insegurança maior está relacionada à necessidade específica da criança. “A gente precisa ter a certeza de que eles vão estar amparados”, afirmou.
O desabafo foi compartilhado nas redes sociais e rapidamente ganhou repercussão, ecoando entre outras famílias que enfrentam dificuldades semelhantes.
A realidade da unidade escolar
Procurada pela reportagem, a direção da Escola Municipal Everaldo Cardoso informou que atende mais de 500 alunos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, sendo aproximadamente 50 estudantes com necessidades especiais.
Atualmente, segundo a direção, a escola conta com 10 monitores, o que representa média de um profissional para cada cinco alunos especiais.
A unidade esclareceu que não houve recusa de matrícula no caso de Abraão e que os monitores são vinculados ao CIEE, passam por capacitação prévia e seguem acompanhamento da Secretaria Municipal de Educação.
Uma dor que não é isolada
Durante a apuração, outra mãe reforçou a necessidade de ampliação do número de monitores e maior qualificação profissional.
Além disso, surgiram relatos sobre déficit de funcionários da limpeza, situação que também impactaria a rotina da escola.
Dados do Censo Escolar 2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, mostram crescimento de 44,4% nas matrículas de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ultrapassando 918 mil alunos na educação básica.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima que cerca de 2,4 milhões de brasileiros estejam dentro do espectro autista.
O aumento da demanda exige estrutura compatível e esse tem sido o centro da discussão.
A reportagem segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Educação de Itabuna.





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