Prefeitura de Itabuna Natal
Itajuípe SAAE
Coffee House ok

Apostas em bets podem ser proibidas na Bahia e multa chega a R$ 50 mil

SUS disponibiliza teleconsultas com psicólogos e psiquiatras para viciados em apostas

0 17

As apostas em bets são o foco de um projeto de lei que propõe a proibição de publicidade, patrocínio e promoção de jogos de azar eletrônicos, além de vetar apostas sobre resultados de eleições, referendos e plebiscitos na Bahia. O texto é do deputado Hilton Coelho (Psol) e tramita na Assembleia Legislativa (Alba).

Segundo o projeto, a proibição vale para todos os meios de comunicação, incluindo rádio, TV, internet, redes sociais, outdoors e eventos públicos ou privados. O PL também veda qualquer forma de estímulo às apostas, seja de forma direta, indireta ou subliminar.

Caso seja aprovado, a lei vai proibir:

  • Anúncios de jogos de azar eletrônicos online
  • Patrocínio de empresas de apostas em eventos esportivos, culturais, educativos ou cívicos
  • Publicidade indireta em redes sociais, canais digitais e transmissões
  • Instalação de fábrica de aplicativos de apostas em aparelhos eletrônicos vendidos no estado

Apostas políticas e multas

O texto reforça também a proibição de publicidade para apostas que envolvam o cenário eleitoral e define punições para pessoas físicas ou jurídicas que descumprirem a lei.

Punições:

  • Advertência
  • Multa entre R$ 1.000 e R$ 50 mil, variando conforme a gravidade e o alcance
  • Cassação de licenças estaduais de funcionamento

As penas podem ser aplicadas de forma cumulativa e, em caso de reincidência, a multa pode chegar a dez vezes o valor máximo estipulado.

Além disso, o projeto define que o Poder Executivo deve fiscalizar o cumprimento das novas regras e criar campanhas educativas sobre os riscos à saúde e econômicos do vício em jogos.

A lei não se aplica a loterias oficiais ou sorteios realizados por órgãos públicos. O PL passará por comissões especificas antes de ir para votação em plenário.

Atenção à saúde

Outro projeto, também do deputado Hilton Coelho, propõe a criação de uma política pública na Bahia voltada ao tratamento da ludopatia — transtorno mental crônico caracterizado pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, persistindo mesmo com graves prejuízos financeiros, familiares e sociais.

A proposta foca, especialmente, no vício em jogos eletrônicos e apostas online. O texto classifica a dependência como um problema de saúde pública e estabelece diretrizes para o acolhimento, prevenção e capacitação profissional dentro da rede estadual.

O PL pontua que a política tem os seguintes princípios:

  • O vício é reconhecido como questão de saúde pública
  • Cuidado deve ser integral e humanizado
  • Deve haver cooperação entre diferentes setores do governo
  • Respeito à autonomia do indivíduo e igualdade no acesso aos serviços

Metas da nova política:

  • Fomentar a prevenção, o acolhimento e a reinserção social
  • Realizar campanhas educativas sobre os riscos psicológicos e econômicos
  • Garantir atendimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Bahia
  • Capacitar profissionais de saúde, educação e assistência social para lidar com o problema

Além disso, o projeto estabelece que o Poder Executivo deve articular suas secretarias para promover ações preventivas e assistenciais. Também autoriza o governo a assinar convênios e parcerias com instituições públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, voltadas ao tratamento e prevenção do vício. Os gastos serão pagos com recursos do próprio orçamento.

O projeto também passará por comissões especificas antes de ir para votação em plenário.

Vício

Como justificativa, o deputado Hilton Coelho destacou que o número de atendimentos por vício em jogos na rede pública da Bahia cresceu 142,86% entre 2023 e 2024. O estado é o 4º estado com maior número de apostadores on-line no Brasil, totalizando cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Segundo um relatório do Banco Central, os beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões às empresas de apostas, conhecidas como bets, por meio de pix em agosto deste ano.

Atendimento pelo SUS

O Ministério da Saúde iniciou na última terça-feira, 3, um serviço de teleatendimento voltado a pessoas com compulsão por jogos de apostas, incluindo familiares e rede de apoio. O atendimento é direcionado a maiores de 18 anos e será oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto é realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), e tem como objetivo ampliar o acesso a cuidados especializados. Inicialmente, a expectativa é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, mas o ministério pretende expandir esse número até 100 mil consultas mensais, conforme a demanda.

Como funciona

As consultas são realizadas por vídeo e duram em média 45 minutos. Cada paciente pode participar de até 13 sessões, de forma individual ou com sua rede de apoio. A equipe é multiprofissional, composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médicos psiquiatras quando necessário, e inclui articulação com assistência social e medicina de família para integração aos serviços locais. Todo o atendimento é gratuito e confidencial.

Cadastro pelo Meu SUS Digital

O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após baixar o app e realizar login com a conta gov.br, o usuário deve acessar o item Miniapps e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”.

No aplicativo, há um autoteste validado no Brasil, baseado em evidências científicas, que identifica sinais de risco e orienta sobre os próximos passos. Quem apresenta risco moderado ou elevado é encaminhado automaticamente para o teleatendimento, enquanto casos de menor risco recebem orientação para buscar a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que abrange desde Centros de Atenção Psicossocial (Caps) até Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O Meu SUS Digital também oferece conteúdos educativos sobre sinais de alerta, prevenção e impactos das apostas na saúde mental. A Ouvidoria do SUS está disponível por telefone (136), teleatendimento, formulário online, WhatsApp ou chatbot, sempre seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.