A presença do peixe-leão no litoral de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, mobiliza pescadores, pesquisadores e órgãos ambientais. Em aproximadamente um mês, quase 500 exemplares da espécie invasora foram retirados do mar como parte das ações para tentar conter sua proliferação.
A primeira ocorrência oficial no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro, foi registrada em 12 de junho deste ano. A espécie, no entanto, já havia sido encontrada anteriormente em outros pontos do litoral baiano, incluindo Morro de São Paulo e Taipu de Dentro, em Maraú.
Diante do aumento dos registros, Porto Seguro elaborou um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado em agosto. O documento estabelece medidas de monitoramento, captura, pesquisa científica e prevenção de acidentes.
Uma das estratégias adotadas fora da área protegida é incentivar a participação dos pescadores na retirada dos animais. Segundo a Prefeitura de Porto Seguro, R$ 10 são pagos por cada exemplar entregue. A iniciativa deve continuar por mais 30 dias.
Depois da captura, os peixes são encaminhados prioritariamente ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (Lecomar/UFSB). Os pesquisadores analisam os exemplares para obter informações sobre distribuição, alimentação, reprodução e dimensão da população presente na região.
Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é considerado uma espécie invasora no Atlântico. Um dos principais problemas é sua elevada capacidade de reprodução e predação, associada à ausência de predadores naturais capazes de controlar sua população no ambiente onde foi introduzido.
A expansão pode afetar peixes e invertebrados nativos e provocar desequilíbrios nos ecossistemas recifais, com possíveis consequências também para atividades econômicas ligadas à pesca e ao turismo.
Além do impacto ambiental, o peixe-leão exige cuidado por causa dos espinhos venenosos. O contato pode provocar dor intensa, náuseas e, em situações mais graves, convulsões. A recomendação é não tocar no animal e procurar atendimento médico em caso de perfuração.
O plano elaborado em Porto Seguro prevê ainda capacitação de pescadores e mergulhadores e ações educativas para reduzir o risco de acidentes. Os exemplares capturados não devem ser devolvidos vivos ao ambiente marinho.
A retirada de centenas de animais em poucas semanas reforça a preocupação com a capacidade de expansão da espécie e mantém o litoral do extremo sul da Bahia sob monitoramento.
Com informações do Correio24h



