‘Achava que nunca chegaria dentro do nosso território’: facções ameaçam comunidade indígena em Caraíva
Uruba Pataxó, vice-cacica de Mãe Barra-Velha, diz que organizações impõem represálias para aldeia. Declaração integra “Territórios - Sob o Domínio do Crime”, 100º documentário do Globoplay, que aborda o papel das facções criminosas no Brasil
A comunidade indígena Barra Velha se tornou vítima do avanço das facções criminosas no litoral da Bahia. Segundo Uruba Pataxó, vice-cacica da aldeia mãe que fica em Caraíva, na região de Porto Seguro, as organizações ameaçam o grupo.
Em uma fazenda no território, ainda segundo Uruba, funciona uma espécie de ponto de comando do tráfico. Para ela, isso evidencia o crescimento da presença das facções nas terras.
“Está chegando aqui uma coisa que a gente achava que nunca chegaria dentro do nosso território”, afirma.
A declaração de Uruba integra a produção inédita do Globoplay “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, 100º documentário do serviço de streaming, que aborda o papel das facções criminosas no Brasil.
No quarto episódio, a produção mostra como o crime organizado ultrapassou fronteiras, com infiltração em terras indígenas e na economia legal, explicando a situação de Caraíva.
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Aldeia mãe Barra Velha, em Caraíva, na Bahia — Foto: Reprodução/Globoplay
As facções em Caraíva
Segundo moradores e autoridades locais, grupos ligados ao tráfico de drogas disputam o controle da região, atraídos pela circulação de turistas com alto poder aquisitivo, festas com consumo de entorpecentes e pela baixa presença do Estado.
Os relatos apontam que uma facção regional chamada Anjos da Morte (ADM) se fortaleceu nos últimos anos e teria se aliado ao Comando Vermelho.
Atualmente, o grupo disputa espaço com outra organização associada ao Primeiro Comando da Capital.
Moradores relatam episódios de toque de recolher, e regras impostas por facções, como ameaças a donos de pousadas e proibição de roubos locais. Ao mesmo tempo, há o interesse dos grupos em evitar confrontos durante a alta temporada para não afastar turistas e preservar os lucros gerados pelo turismo e pelo tráfico.
As disputas entre facções e operações policiais tornaram a violência mais visível. Caraíva já registra mortes em ações policiais, apreensões de armas pesadas e assassinatos ligados ao conflito territorial.
Além do turismo, a região é estratégica por estar próxima da divisa entre Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, rota terrestre e marítima usada para a circulação de ilícitos, o que amplia o interesse das organizações pelo local.
Texto: G1 Bahia




